Terapia Nutricional Domiciliar: entenda o conceito e os desafios

A terapia nutricional domiciliar constitui um novo campo de atuação para nutricionistas que ainda não possuem clínica de atendimento e que desejam se especializar em serviços prestados na residência do próprio paciente.

Devido ao crescimento da população idosa e da deficiência de leitos disponíveis em hospitais para internações crônicas ― de longa duração ―, a modalidade apresenta grande potencial de empreendimento no Brasil.

A seguir, entenda melhor como funciona essa especialidade e quais os desafios profissionais a serem enfrentados.

O público da terapia nutricional domiciliar

O atendimento nutricional domiciliar pretende proporcionar maior conforto e segurança aos pacientes portadores de doenças crônico-degenerativas que se submetem constantemente a procedimentos hospitalares, o que reduz sua autonomia e qualidade de vida.

Nesse caso, indivíduos com distúrbios de deglutição associados a doenças neurológicas ou câncer, por exemplo, podem ser beneficiados. Esse atendimento individualizado reduz os gastos das instituições de saúde e ajuda a liberar leitos, que podem ser úteis em situações emergenciais ou de síndromes que possuem início súbito e desenvolvimento rápido.

O que é preciso saber para prestar esse serviço

Assim como no consultório, antes de iniciar uma dieta de caráter oral, enteral ou parental, é preciso seguir uma série de procedimentos rigorosos, a fim de estabelecer as melhores estratégias nutricionais:

Avaliação Clínica: primeiramente, identificam-se quais são as carências nutricionais do paciente, por meio da análise do prontuário médico, dos exames físicos e laboratoriais, assim como dos fármacos em uso.

Avaliação Antropométrica: nessa etapa, são avaliadas as reservas de gordura e massa muscular relativas ao peso corporal, com o objetivo de constatar qual é a situação física atual do paciente e sinais precoces de distúrbios alimentares.

Avaliação Dietética: essa avaliação é relativa ao registro da frequência alimentar e de tudo aquilo que foi ingerido pelo paciente nas últimas 24 horas. No caso de indivíduos que possuem dieta via sonda, analisam-se os nutrientes aplicados.

É trabalho do nutricionista, ainda, avaliar as condições da residência, identificando fatores que podem ser nocivos ao tratamento, além de orientar a família ou o cuidador responsável a respeito da higienização das mãos, dos alimentos e dos utensílios a serem utilizados. Aspectos como a frequência de lavagem e desinfecção das sondas e a forma de armazenamento dos alimentos não devem ser negligenciados.

Desafios em evidência

A valorização do serviço

O primeiro grande desafio a ser enfrentado diz respeito ao reconhecimento, por parte da família, da necessidade e importância de uma orientação nutricional individualizada.

Por ser uma novidade no mercado brasileiro, os reflexos da terapia domiciliar na qualidade de vida do paciente ainda são pouco conhecidos: independentemente da via de alimentação recomendada, o tratamento junto ao nutricionista procura maximizar a independência do indivíduo, afastando-o do ambiente médico que pode potencializar quadros de depressão ou eventuais infecções hospitalares.

Vínculo entre profissional e família

Outro obstáculo a ser encarado é o fato de que não se trata de um atendimento de mão única, mas de cuidados que contam com a atuação da família na execução dos procedimentos corretos.

Portanto, é imprescindível que a relação nutricionista/família seja transparente, para que haja a perfeita compreensão das orientações sobre o preparo e manipulação da dieta, assim como liberdade de diálogo entre as partes, caso haja a necessidade de adaptação dessa rotina até a alta nutricional – quando o paciente encontra-se em bom estado nutricional.

Os familiares devem conversar com o especialista, por exemplo, sobre a necessidade do uso de fórmulas nutricionais industrializadas, que geram gastos desnecessários e que são, frequentemente, dispensáveis.

As tecnologias como aliadas

Para um atendimento domiciliar de excelência, é indispensável, também, contar com o auxílio de aplicativos e tecnologias que permitam à família um acesso ágil ao profissional quando houver dúvidas e necessidade de orientação.

Essa aproximação entre os clientes e o nutricionista aumenta as chances de que se dê continuidade ao tratamento, além de possibilitar a organização e a centralização das informações em uma só plataforma. Assim, o paciente e a família podem interagir melhor com a dieta por meio da tecnologia, minimizando erros e problemas no decorrer do tratamento.

E então, o que achou da terapia nutricional familiar? Se quiser receber mais informações sobre carreiras em nutrição e nutrição domiciliar, não deixe de assinar a newsletter da NutriSoft e ficar por dentro das tendências do mercado!

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4 comentários

  • Lailza Cerqueira Pinto janeiro 30, 2017   Responder →

    Achei interessante o conteúdo abordado por vocês.

  • The Gluten Free Shop fevereiro 8, 2017   Responder →

    Ótima matéria. A terapia nutricional é um novo campo de atuação para nutricionista. Isso enrique ainda mais essa área da ciência, forma profissionais mais especializados em um determinado paciente, favorecendo a todos que precisam de um serviço mais personalizado.

Comentários